quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Traída



E o livro está quase quase nas bancas!!!!!

Lembra-se de ter dito que estava numa encruzilhada? Pois é, escolhi um caminho. Escolhi publicar o meu primeiro livro!

Obrigado meu amor pelo apoio que me deste!

Traída, em breve nas bancas!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Mais Importante



Em 2007 tive um pequeno acidente que me atirou para uma baixa de dois meses. Ainda não tinha o meu piolhito, nem ele era ainda imaginado ou sonhado.

A meu lado, sempre incansável, estava a minha avó. A minha sereníssima avó, que mantinha um ar estóico mesmo quando tudo à sua volta parecia desmoronar.

Apesar do acidente e de precisar de muletas para me deslocar, apesar da besta de médico que me calhou na rifa, tive o seu apoio incondicional. E hoje, como então, admiro-a e acarinho cada dia daqueles dois meses.

De manhã - e habituada a acordar cedo - eu costumava ver com ela um filme ou ler um livro ou uma revista. Tinha uma forma muito sua de ver o mundo, habituara-se a interpretá-lo conforme o que lia nos lábios porque era surda parcialmente desde os dez anos. A surdez avançou com a idade, mas a mente continuou arguta. Ninguém a enganava, porque estava sempre atenta.

À tarde, enquanto eu trabalhava nos meus quadros de ponto cruz, ela fazia o seu croché. Sempre incansável a fazer um naperon, uma colcha, o que quer que lhe tivessem encomendado. Enquanto tivéssemos luz, trabalhávamos ambas. A meio da tarde, levantava-se para nos fazer um chá.

Depois, quando comecei a andar só com uma muleta, resolvi um dia ir com ela a Alvalade, passear à Avenida da Igreja. O que ela adorava aquela avenida! Dizia que respirar ali era respirar Lisboa! Era alfacinha de gema, de coração.

Corremos as lojas todas, comprámos papel de embrulho, fita-cola, prendas, tanta coisa! Porque então, como agora, estávamos no Natal. E os olhos dela sorriam, de contentamento. Nunca se queixou de cansaço, como seria natural numa mulher da idade dela.

Só a vi chorar duas vezes na vida, uma de tristeza profunda por ter perdido a irmã - de idade muito avançada - e outra de alegria, quando soube que ia ser bisavó.

Amou o meu filho desde o primeiro momento, como amou todas as crianças. Amou porque estava na sua natureza amar.

E agora, esta senhora tão especial, este doce de avó, tem a mente fechada para mim. A demência avançou e ela já não reconhece praticamente ninguém. E nesta altura custa-me mais do que em qualquer outra porque a recordação daquele Natal de 2007 é forte e vívida e não consigo olhar para o quadro que bordei no dois meses que estive de baixa sem me lembrar dela e do que aqui passámos.

Aquele olhar vívido e inteligente estava aquoso e baralhado da última vez que a vi. Não sei o que vou encontrar quando a rever, mas sei que tenho de a ver porque ainda há uma coisa que tenho de lhe dizer.

Disse-lho várias vezes, por gestos, por cuidados, por carinhos, mas nunca lho disse frontalmente. Nunca lhe disse o quanto a amo. E sinto que é importante dizer-lho. Mesmo que ela já não me reconheça. Mesmo que me doa até o mais profundo da alma.

Porque ela é a minha avó.

domingo, 13 de novembro de 2011

Lealdade Canina



http://sicnoticias.sapo.pt/vida/article982956.ece

Hoje vi uma notícia no telejornal da Sic que me deixou à beira das lágrimas. Não consigo encontrar outro nome para o que aconteceu, que não seja "Lealdade Canina". Podem vê-la clicando no link acima.

Uma senhora, provavelmente já com certa idade, ou talvez não, quem sabe?, levava o seu cão para todo o lado. Só se tinham um ao outro e iam juntos para todo o lado. E foi assim naquele dia. A senhora levou o cão para o posto médico e deixou-o à porta, à sua espera.

A senhora nunca mais voltou a sair. Sentiu-se mal, foi levada para o hospital e lá morreu. O cão ainda hoje lá está, à porta. Decorreram meses. Mas o fiel cãozinho ainda espera pela sua dona, que entrou e não voltou a sair.

Inicialmente ainda ia a casa, à noite. Depois deixou de ir. As pessoas que vivem ali à volta construiram-lhe uma casota e dão-lhe de comer, mas o animal continua à espera daquela que o amou e que ele ainda ama incondicionalmente.

O seu coração fiel não compreende a separação, e até poderia compreender a morte se tivesse visto o corpo da dona. Assim, sem entender a tristeza que o rodeia e porque motivo não a voltou a ver, aguarda. Aguarda à porta.

Há lealdade mais pura do que esta? Há amor mais incondicional que este?

Podem dizer que isto não são notícias para reproduzir no noticiário da noite, mas eu acho o contrário. Num mundo em que filhos matam pais, em que os velhos são votados ao abandono, em que crianças com barrigas grávidas de fome morrem sem que os opulentos queiram saber, este exemplo de lealdade deve guiar-nos, servir-nos de exemplo.

Por favor, se alguém morar em Rio de Mouro, dêem um lar a esta fiel criatura. Preencham de alegria os dias deste cãozito, dêem-lhe um lar.

Até ao dia em que possa estar com a sua dona verdadeira.

A União Faz a Força



A União faz a Força!

Onde é que eu já ouvi isto?

Bem, onde não foi, sei eu muito bem onde foi: nos noticiários. A Função Pública está a ser roubada. É verdade, completamente de acordo.

Então porque é que em vez de irem reinvidicar os subsídios a que têm direito, se viram contra a Função Privada? Não saberão eles que o privado vai sempre atrás do público, digam os políticos o que disserem?! O que lhes está a acontecer a eles vai acontecer ao privado também, isso é limpinho!Provavelmente não vai é abrir telejornais!

Porque é que não se viram contra os filhos da mãe que estão comodamente sentados no Parlamento, com computadores topo de gama à frente para jogarem solitário, e que esses sim vão receber subsídios, apesar de serem funcionários públicos?!

Ao estar a receber-se o salário mensalmente, já estamos a ser roubados! Mas como é feito pela calada, ninguém nota e ainda ficam todos muito felizes quando recebem o 13º mês. Metam uma coisa na cabeça, ninguém vos está a dar nada! Se recebessem à semana, no fim do ano receberiam sem tirar nem pôr rigorosamente o mesmo valor que recebendo o 13º mês! Mas estamos a brincar ou quê?

E o povo vira-se contra o povo porquê?! Quem vos está a roubar não é o privado! Justifica-se que os políticos recebam ajuda de custo para tudo e mais alguma coisa, que o nosso estimado Presidente da República vá para os Açores com uma comitiva que chega para proteger metade do pessoal da Casa Branca - e quem paga esta procissão, quem é?? - e depois venham pedir sacrifícios aos portugueses?! Que direito têm de nos pedir o que quer que seja?! Quem diabo pensam que são?!

Um polícia arrisca a vida diariamente, e por um salário de quê? O que vai acontecer à família deste polícia se algo lhe acontece no cumprimento do dever?!

Unam-se, caramba! Deixem de ser atados! Virem-se contra quem de direito! Em vez de pedirem para retirarem os subsídios aos privados, virem-se contra a classe política, chula de profissão e categoria! O que é que fizeram de especial pelo povo, pelo país, para terem direito a subsídios!?

Não se esqueçam de uma coisa: não há nada nem ninguém mais perigoso do que aquele que não tem nada a perder!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

S. Martinho na Creche



Correndo o risco de parecer o outro do anúncio, vou começar por dizer "Eu ainda sou do tempo..."

Ainda sou do tempo em que eram os garotos a trazerem trabalhos para fazer em casa. É certo que estamos a falar de uma criança com dois aninhos e meio, e isso ainda mais me baralha: não era suposto não termos trabalhos de casa nesta idade???

Pois hoje, quando fui buscar o meu pequenote à creche - após uma ausência de duas semanas por motivo de férias - a educadora entregou-me uma castanha em cartolina e disse-me, com um sorriso grande:

- Ò mãe, não se esqueça de me trazer isso amanhã enfeitado!

Fiquei verde. Peçam-me para discursar na Assembleia da República, peçam-me para lavar vidros do sétimo andar das Torres, peçam-me para enfrentar um chihuahua enraivecido, tudo menos fazer desenhos. Não tenho mesmo jeitinho nenhum para aquela arte. Olhei para ela com ar tão apavorado que o sorriso se alargou e tornou-se afiado:

- A mãe nunca andou na creche?

Por acaso, não. Sou do tempo em que as crianças eram educadas pelas avós enquanto as mães iam trabalhar (e a minha avó fartou-se de criar crianças que não eram netas de sangue, mas o eram de coração), sou do tempo em que os trabalhos de casa começavam a partir dos seis anos quando se entrava para a escola... e já mencionei que não tenho jeito nenhum para as artes plásticas?

O meu garoto agarrou na castanha de cartolina, com um sorriso grande na sua carinha. Quis ser ele a entregar ao pai o pedaço de cartolina.

Deus abençoe os homens com insight. O meu marido olhou para "aquilo" e disse:

- Tenho de ir à mata.

Por mata, entenda-se os onze hectares de parque selvagem que constituem um verdadeiro pulmão na minha cidade.

De verde, passei a cinzento. Agora é que eu estava a ver a minha vida toda andar para trás!

Por sorte, não demorámos muito. O meu marido apanhou o que entendeu que ia ficar bem e quando chegou a casa, ele, que costuma ajudar-me com o menino e com as coisas do dia-a-dia, pediu-me:

- Amor, hoje deixas-me aqui até acabar isto, está bem?

Por outras palavras, não me chateies. Tratei da janta enquanto ele tratava da castanha de cartolina. E talvez devido ao trauma que um simples pedaço de cartolina me estava a causar, fui fazer jantar a cheirar a São Martinho.

Quando terminei de servir os pratos ele mostrou-me a sua obra prima.

Digam lá que não ficou uma obra de arte! Tenhou ou não tenho um maridinho jeitoso?

sábado, 5 de novembro de 2011

Estrela Cadente



Ontem uma das estrelas mais brilhantes do meu firmamento vacilou. A Estrela que sempre me regeu foi de urgência para o hospital, com sintomas de AVC.

Hoje o susto parece ter passado. Mas foi o segundo no espaço de um mês. Sintomas diferentes, mas que apontam para a mesma sintomatologia - segundo o Google.

Eu sei que o corpo humano é uma máquina complexa. E que olhos diferentes podem ver de maneiras diferentes. Mas quão difícil será tratar um doente que entra nas urgências do hospital de ambulância, que é diabético e que tem a tensão a 23?!

O que é que provoca esta abrupta subida? Será que sabem? Será que se importam sequer? Que uma mente brilhante, que resolve Sudoku a caneta azul porque nunca se engana, tenha entrado numa fase de jarganofasia? Acharão normal?

Importar-se-ão sequer?

És a minha Estrela, o meu guia. Não me podes deixar.

Não assim. Depois de uma luta inteira, de uma vida de dificuldades, de tanta sapiência acumulada, tens o direito de dormir pacificamente.

Não é justo.

Vais ao médico na segunda-feira e és o maior hipocondríaco que conheço. Por favor, trata-te. Tens de andar por cá muitos anos ainda, tens mais um para guiar, tens de ser a estrela para o teu homónimo.

Por favor.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Gomas e um Dia de Chuva



Poucos prazeres há na vida como as pequenas coisas.

Dia de chuva em casa com uma criança pequena equivale a casa caótica, brinquedos por todo o lado, lápis de cor espalhados por todo o lado e um ocasional beijo peganhento.

Não trocava isto por nada deste mundo. Se tropeçar num lápis, logo me levanto, se pisar um carrinho é tentar compôr antes que o puto se aperceba, se a carita estiver peganhenta é tentar não pensar no que pode ter provocado aquela gosma e limpá-la o mais rapidamente possível.

Um dia de chuva é bom para aninhar na cama com o pequenito a ver episódios repetidos do "Bocas" que a ele tanto encantam, deixá-lo comer gomas à laia de pipocas e brincar com o cachopo. Porque o tempo está a passar a correr e qualquer dia ele já não se quer aninhar com a mamã, já nem sequer me chama mamã, já não quer comer gomas.

Por hoje, por agora, por enquanto, sou a mamã e estamos aninhados na cama a ver o "Bocas" e a comer gomas.

Há melhor que isto na vida?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

P'ra Esquecer!!



Já alguma vez tiveram algum dia que parecia que nada corria bem??

Yep... É como diz a música, Why Does it Always Rain on Me???

E hoje nem choveu.

Então é assim: no banho acaba-se o shampôo. Porreiro. E o frasco novo? Na dispensa, claro. Do outro lado da casa. Começa bem.

Uma quiche que já fiz milhentas vezes. Claro que tinha de agarrar hoje à forma. Claro que sim.

E é claro que hoje que não abri a porta ao carteiro tinha de lá estar uma carta registada. Hã-hã.

Ir dar um passeio hoje? Boa ideia, vou calçar aqueles sapatos que... Ideias da treta, pois claro! E é claro que me iam apertar os calos. E para o caso de não os ter, formou um.

Agora tenho o monitor do pc a pifar. Não espirrem não vá partir qualquer coisa!

Até tou com medo de me deitar. Ainda me cai algum bocado de tecto em cima.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Egoísmo



Uma coisa eu acho que já ficou claro na minha maneira de ser e estar: sou frontal. Sou directa. Não tenho paciência nem feitio para falsidades. E não tolero egoísmos.

Não sou descartável. E não admito que me tentem atirar areia para os olhos. Estou-me nas tintas se gostam ou não da minha maneira de ser, ou compram a embalagem toda ou mais vale nem tentar abrir o pacote. Não tentem é fazer de mim parva.

Quando me dizem que uma mãe não via um filho durante três meses ou mais, esquecem-se que também são mães - e galinhas por acaso - e que no caso delas também não iam gostar.

Mas preferem virar a cara para o lado porque lhes é mais conveniente assim.

A conveniência de hoje não é a mesma de ontem e não será igual à de amanhã. Mas uma vez mãe, sempre mãe. Um dia mais tarde lembrar-se-ão disto. E queira Deus que as palavras hoje pronunciadas não lhes venham um dia a amargar na boca.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cansaço


Estou tão terrivelmente cansada...

Farta da hipocrisia das pessoas, farta de lutar contra a maré, farta de tentar reunir energias quando eu própria já não me sinto com coragem...

Farta de ser super-mulher, porque o meu dia começa cedo e acaba tarde e mesmo assim não ouço senão vozes discordantes nos ouvidos...

Faço o que me manda a consciência, mas isso não é suficiente.

Faço o que está ao meu alcance, mas não é suficiente.

Cansada.

sábado, 1 de outubro de 2011

Uma Última Partida de Dominó



Em miúda, jogava muito ao dominó. Ou o meu avô ou a minha avó sentavam-se comigo e estavam horas a jogar. Faziam fintas, negaças e muitas vezes deixavam uma miúda abelhuda ganhar apenas para ver o seu sorriso desdentado de quem já está a perder a dentição de leite.

O meu avô faleceu há muito. E quando o coração desistiu de bater, ele já não reconhecia a miúda desdentada na adolescente de sorriso triste. Ele já não reconhecia a neta. Ele já não reconhecia ninguém.

Ficou a minha avó.

Excelente bordadeira, não havia segredo do croché que não conhecesse. Fazia um naperon mais rapidamente do que eu conseguia desenrolar os olhos. Parecia que mal pestanejava já o naperon estava feito.

Comprei meadas e meadas de linhas para ela fazer os seus naperons. Tenho tantos feitos por ela que não tenho mesas que cheguem.

Tinha uma astúcia serena a jogar, uma calma e um sorriso meigo. Era a avózinha que todos queriam. Cúmplice e bem disposta.

Mas a demência também a apanhou. Já não há astúcia serena a jogar dominó. Tenta contar as pedras e engana-se frequentemente porque embora saiba as regras, já não as consegue aplicar. Perdeu muitas coisas e a agulha do croché foi a primeira. Já não há naperons. Às vezes já não há reconhecimento.

Fala do bisneto como se tivesse estado na pele da neta. O que eu fiz, na cabeça dela, fez ele. O que eu disse, na cabeça dela, fez ele.

E alturas há em que na cabeça dela, ele já não existe e eu sou bebé de berço.

Hoje jogámos dominó. E ainda que ela ainda não o saiba, foi a última porque amanhã a vida dela vai mudar. Já não pode estar sozinha, uma vez que já não consegue tratar da higiene básica.

Já não há astúcia serena. Já não há astúcia. Já não há croché. Já não há reconhecimento.

Tantos já não hás...!

Ficou a desorientação, o olhar por vezes vazio, o sorriso triste.

Ficou o piloto automático, mas a minha avó já cá não está. Fisicamente, está alguém que usa o corpo dela e fala com a voz dela, mas já não é a avó que eu tinha.

Gostava, por uma hora que fosse, reviver aquela criança desdentada e de sorriso franco e a avó com a astúcia serena e o avô brincalhão.

O presente é uma dor constante. Cada jogada daquela última partida de dominó uma facada no coração.

Eu quero a minha avó.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Amor de Mãe II



A creche já recomeça para a semana, mas o meu pequenino ainda não sabe que se está a acabar a boa vida. Agora dorme até querer - infelizmente nunca passa para lá das nove da manhã lol - faz fitas de meia noite para comer e a sua palavra preferida é "não".

Também me vem dar um abracinho e um beijinho quando sente que asneirou e está prestes a saltar-me a tampa, ou simplesmente porque é meiguinho e quer partilhar a meiguice.

É aquele que está sentado neste momento no sofá a dar a maçã que me pediu ao cão, para fingir que a comeu toda.

As crianças são realmente o futuro, como canta a Whitney Houston. A minha criança também é a causa de grande parte dos meus cabelos brancos lol.

O meu pequerrucho já usa o bacio e a fralda é quase obsoleta. Está grande, refilão e em grande parte das vezes, comilão - embora só para o que lhe cheire lol.

Este amor é imenso.

É amor de mãe.

sábado, 20 de agosto de 2011

Bocas



Hoje em dia os desenhos animados são muito violentos, por isso fui ao fundo do baú buscar estes para mostrar ao meu pimpolho.

Entretanto apanhei uma enjoadela de "Bouche Bouche" mas o puto tá encantado lol.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Amor de Mãe



Poucas coisas, senão nenhumas, são tão intensas como o amor de mãe.

O país pára durante o mês de Agosto. A creche onde anda o meu pequerrucho também fechou e eu só tinha 15 dias de férias. Ficaram duas semanas em que eu não sabia o que fazer ou onde o deixar.

Tive a sorte de poder contar com os avós do meu menino. E o meu pequenino passou duas semanas e meia com os avós, mas via os pais todos dias pelo MSN (abençoadas sejam as novas tecnologias).

Mesmo assim, as saudades apertavam e de que maneira! Tinha saudades do meu menino, saudades do seu riso, das suas gargalhadas, das suas fitas, das suas conversas. Até tinha saudades de ter a sala cheia de brinquedos espalhados por todos os lados.

Hoje ele voltou e já está com os seus papás. Já tenho a sala de pantanas, já piso carrinhos e legos por onde quer que ande, já não posso deixar as coisas do ponto cruz espalhados por todo o lado não vá ele pegar na tesoura ou nas agulhas. Já não posso dedicar-me unica e exclusivamente aos meus hobbies porque tenho o meu pequenino em casa.

E nunca estive tão feliz da minha vida! Porque por muito bem que os avós os tratem, embora saibamos que eles estão bem entregues, que estão felizes, a saudade bate cá sempre. Eles são nossos, a nossa imortalidade.

Agora, se me dão licença, a minha imortalidade descobriu uma caneta e quer ir escrever nas paredes. Com licença sim?

sábado, 13 de agosto de 2011

Pedido de Ajuda



Amigos,

A PRAVI e os nossos amigos de quatro patas precisam de nós. Se não puderem comprar comida, façam doações para a instituição por favor.

Pude testemunhar em primeira mão o amor que estes voluntários dedicam aos animaizinhos que recolhem, como se esforçam para lhes encontrar um lar que os ame e os ajude. Eles dão-nos muito mais a nós do que nós a eles, acreditem.

Eu tenho um cão. Chego a casa cansada, maldisposta e cheia de calor. Ele dá-me carinho, conforto e beijinhos. Não quer saber se estou transpirada, mas sente que não estou bem e quer-me pôr bem disposta. O olfacto dele é 400 vezes mais apurado que o meu. Se eu sinto quando ele cheira a cão ocasionalmente, que dizer dele, que sente como eu estou quando chego a casa todos os dias???

Por favor, ajudem!


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Apertar o cinto



Numa altura em que tanto se fala em apertar o cinto, descobre-se que não sei quantos personalidades públicas pediram reformas milionários, ultrapassando os pedidos do ano passado em 53%. Isto estaria tudo muito bem se estivéssemos a falar da República das Bananas, ou pelo menos de um país rico e sem problemas de dívidas ou do que quer que seja. Um país onde os reformados têm reformas decentes, que lhes permitam levar uma vida digna após uma vida de sacríficio.

MAS AFINAL DESCOBRE-SE QUE UM PAÍS FALIDO E ONDE SE PODE ATRIBUIR REFORMAS DE 200 EUROS ATRIBUI LIVREMENTE REFORMAS DE 5000 EUROS A QUEM AINDA ESTÁ NO ACTIVO!!!

Eu sei que tenho um mau feitio terrível, mas reformas milionárias destas não constitui um afronto à pobreza?!

Onde andam afinal as medidas iguais e o apertar de cinto para os políticos?! As promessas deles não valerão mesmo uma casca de alho???

(Claro que não... raio de pergunta a minha!!!)

É de lamentar que gestores de empresas falidas continuem a levar para casa ordenados chorudos com prémios (não sei bem de quê mas de produtividade não deve ser uma vez que a empresa não gera lucro) e que depois peçam reformas milionárias por não terem feito nada a vidinha toda, enquanto o desgraçado que se mata a trabalhar por 500 euros depois nem a reforma vai ter direito!!!

Não fomos nós que fizemos a crise mas somos nós que a temos de pagar! E eu, com este mau feitiozinho que já me conhecem, respondo: quando não estou satisfeita com qualquer coisa, reclamo ou devolvo à proveniência. Como estou farta de reclamar e ninguém os quer de volta, estou a pensar seriamente em recambiá-los para Londres para ajudar a apagar o fogo. Qualquer merda serve e sempre se poupa a vida aos soldados da paz. Pelo menos esses devem ter mãezinhas com orgulho neles...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Amor


Vou responder à Luar sobre a forma de um post, porque de outra maneira aquele comentário transformava-se num testamento.

Eu nunca achei fácil dizer "Gosto muito de ti" ou "Amo-te".

É verdade que não passa um dia que não diga ao meu marido que o amo, ou ao meu filhote. Mas requereu muito trabalho da minha parte porque parecia que as palavras me ficavam engasgadas na garganta.

Não era que eu não gostasse das pessoas, porque gosto. Mas demonstro com actos, sempre foi assim. Adoro o meu avô. Adoro mesmo. E demonstro cada vez que telefono para ele, ou estou com ele, ou lhe faço aqueles miminhos culinários que fazem os olhinhos brilhar e a boca abrir-se num grande sorriso que vai de orelha a orelha. Mas da última vez que lhe disse "Adoro-te, avôzinho!" ele corou até à careca, atrapalhou-se todo, deu-me uma palmadinha desajeitada nas costas e não soube lidar com a emoção.

É um amor diferente daquele que sinto pelos meus pais, marido ou filho. Todos eles são diferentes entre si.

É muito mais simples dizer "Odeio-te!" É daqueles disparates que nos saem boca fora, que não são sentidos, mas que saem com uma limpeza que parece que saíram a voar. Abre-se a boca e já está. E depois, como diz o povo, não se consegue retirar a palavra depois de dita.

Porque é que é tão difícil dizer "amo-te" e tão fácil dizer "odeio-te?"

E finalmente, como podemos ser amados se não sabemos amar ou, pior ainda, se não nos sabemos amar (mais uma vez, a sabedoria popular ajuda-nos: Se eu nao gostar de mim, quem gostará??")

Depois temos a versão de Camões: "Amor é fogo que arde sem se ver"... mas acho que este amor se refere mais à luxúria. E a luxúria existe sem amor. O contrário é que já não tenho a certeza. Hoje a palavra "amor" está banalizada. Troca-se de namorado (a) facilmente a todos se jura amor eterno que dura pouco mais do que o sentimento de luxúria. Confunde-se amor com sexo.

Mas o mais importante de tudo é o amor próprio. E quem não o tem, não o consegue pedir ao próximo, mesmo que o manifeste. Porque inconscientemente não se acha capaz de, ou merecedor de...

Luar, tu tens essa capacidade em ti para dar e vender. O que te falta não é amor... é confiança. E sei que o teu testo ainda te espera.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Animais no Zoo??? Ò fash favôri!!!!


A minha pipoquinha adora animais. Mal vê um cão, um gato ou até pombo na rua, quer logo levá-los para casa (o que me provoca sérios problemas porque se há coisa que não falta em Lisboa são pombos).

Por isso pensei em levá-lo ao Zoo. Quando era miúda adorava ir com os meus avós ao Jardim Jaleco. Já que a minha pipoca adora animais, não custava nada, pensei eu.

Não custava nada o caraças! Cada adulto paga 17 € (e gostava de saber onde é que na Legislação Portuguesa diz que uma pessoa atinge a idade adulta aos 12 anos!) e uma criança com mais de três anos paga 12,50€! Uma roubalheira!

Ainda bem que o meu puto só tem dois aninhos, pensei eu.

Depois comecei a ler as regras do zôo e tive um ataque de riso. Senão veja-se:

  • Manter os espaços limpos - Este é lógico. Senão lá tinham eles de ir buscar malta ao fundo de desemprego para limpar o zôo, o que faria com que o número de desempregados descesse, o que era um escândalo;

  • Não alimentar os animais – Lá ficam as sandochas em casa; apesar que um dia inteiro sem comer é tramado...

  • Não pisar os espaços verdes nem arrancar plantas e flores – Outra lógica, pelos motivos acima indicados;

  • Não gritar, nem provocar os animais – Não é que eu fosse para ali chamar nomes à Cheetah mas eu se fosse ao gnu olhava bem para o que a fêmea anda a fazer, que aquela armação na cabeça está a aumentar;

  • Respeitar as vedações das zonas verdes e das instalações dos animais – Desde que ponham instalações à disposição dos visitantes para quando a vontade apertar, não vejo problemas nenhuns; senão, lá terei de pedir a instalação emprestada ao gorila;

  • Proibida a entrada a animais de estimação – Parou tudo! Então quem é que levava um animal de estimação para um sítio cheio de animais?! Nem tem lógica nenhuma! “Ò Pedrinho, tira o Bóbi da jaula do leão!” Levar animais para um Jardim Zoológico... Impensável!

  • Proibida a entrada de bicicletas, trotinetes, skates, scooters e patins em linha – E se houver uma debandada, como é que eu tenho garantias que consigo fugir?!

  • Proibido jogar à bola – Com os animais ou no geral?

  • Reservado o direito de admissão – A quê?

  • O não cumprimento das regras do Parque pode implicar a expulsão do visitante ou, mesmo, um procedimento legal – Quais regras? Só li disparates!

Mas o que me está mesmo a provocar urticária são os 17 €. Já nem falo na paparoca, que obviamente não está incluída no preço. E como o meu filho é grande para a idade, já me estou a ver a andar à bofetada na bilheteira para que a criança entre à borla. (“Sim, seu mentecapto, a criança só tem dois anos! Se eu tenho a certeza?! Por acaso estava presente quando ele nasceu, durante todas as longas 26 horas que a brincadeira durou, por isso sim, tenho a certeza. Absoluta!”)

Se calhar vou mesmo adoptar um pombo ou dois. Sempre diversifica o meu Jardim Jaleco particular, e depois de canários, peixes e cães, era mesmo o que me estava a fazer falta.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Crossroads II


E as respostas começam a chegar, relativamente ao Crossroads... Já vejo luz ao fundo do túnel mas é ténue... E pede algo que eu não tenho...

Vil metal.

Quem rouba um milhão...



No outro dia recebi um mail, saídinho das parangonas dos jornais desse dia - já não sei de qual deles - em que a mamã do nosso estimado ex-Primeiro-Ministro (para os mais distraídos é aquele tipo de cabelo cinza que conseguiu a fantástica proeza de tirar o diploma a um domingo e que tinha um nariz grande como o do pinóquio, com a diferença que aquele não crescia quando mentia) comprou uma barraquita. Não se pode dizer que a notícia em si me tenha surpreendido, afinal todos precisamos de um tecto.

O que me surpreendeu - e pela negativa, mas eu sou uma pessoa muito negativista - é que a dita senhora declarou 250 euros no IRS desse ano. Que filho tão mau! Anda uma mãe a criar um filho para quê, para que ele a deixe com 250 euros por ano? Coitadinha da senhora deve ter passado pouca larica, para ainda ter de comprar a barraquita...

Qual não é porém a minha surpresa quando descubro que a dita barraquita foi comprada a pronto pagamento, de uma conta offshore para uma empresa fantasma, e que a dita barraquita é na verdade uma vivenda toda XPTO.

Retiro o que disse. Afinal o nosso ex-PM não é mau filho, não senhora. Aprendeu foi muito bem a lição que a mamã lhe transmitiu do berço, que é roubar o mais possível ao estado português e depois enfiar o dinheiro onde Deus quer e por forma a que as finanças não consigam lá chegar.

As minhas não chegam de certeza.

O ridículo desta situação é que a senhora, tal como o filhote, descurou os pormenores. E quando se trata de mentiras - já diz o Zé Povinho, a mentira tem perna curta - convém não deixar nada ao acaso, ou é-se apanhado em flagrante. Ora o filhote comprou um diploma e não olhou para a data que mandou carimbar - faltou inteligência para percorrer o calendário e ver em que dia da semana calhava a suposta graduação - e para esconder mandou encerrar uma Universidade que de prestigiada até nem tinha muito, mas tinha alunos ao pontapé que viram os diplomas rebaixados a nada devido a esse dito senhor (recordo, para os mais distraídos, foi aquele que nos andou a encher de PEC's e mesmo assim conseguiu falir o país). Já a mamã compra uma barraquita de luxo a pronto pagamento no ano em que declara 250 euros. Deve ter faltado uns quantos zeros naquela declaração, erro que todos podemos cometer, claro. Assumindo que os temos para cometer, claro está.

Então agora vem a pergunta do jackpot: se eu não entregar o meu IRS a tempo, ou se não declarar os cinco euros que recebi de bónus do totoloto, caem-me em cima que nem rafeiros a disputar um osso já corroído.
E a estes filhos da p*** que faliram o país, vão fazer o quê, especificamente?

Fica a dúvida.

Confusão



Há coisas que me fazem confusão.

Eu sei que não sou propriamente a herdeira directa de Einstein - a nossa única semelhança foi termos chumbado os dois a Física; ele deu a volta ao contexto, eu dei um pontapé à Física. De resto, não temos nada em comum.

Mas mesmo assim gosto de me inteirar das coisas e não aprecio atestados de estupidez - ninguém gosta, parece-me a mim (embora o Mário Soares goste de os passar; não nos podemos esquecer que ele "sozinho" - com comitivas do tamanho do rio Tejo - deu mais voltas ao mundo que o Papa Peregrino, e pelo menos o João Paulo II era amado e respeitado por cristãos e muçulmanos, o que é bastante mais do que se pode dizer da família Soares toda de pinote só na área de Lisboa, mas adiante que já estou a divagar).

Portanto, tenho uma dúvida: porque é que, num prédio com 6 andares na Amadora, que é provecto de idade - suficientemente provecto para ser anterior à lei que estipula que prédios com mais de três andares têm de ter elevadores - os bombeiros só vão até ao terceiro andar?
Vi uma reportagem onde um casal de idosos mora no quinto andar e o marido está preso ao quarto numa cadeira de rodas, impossibilitado de sair dali por falta de fisioterapia. E porque é que o idoso não pode fazer fisioterapia? Mau feitio? Não. Falta de terapeutas? Credo, não. Falta de mobilidade? Talvez, o homem se fosse a empurrar a cadeira de rodas quando chegasse à fisioterapia já estava de rastos e com a língua de fora.

Mencionei que eles viviam num quinto andar num prédio sem elevador?

Mencionei o pormenor da cadeira de rodas?

Pois é, o homem não pode descer as escadas. Então e a assistência social? Os bombeiros? Um carrinho de mão?

É vergonhoso saber que os bombeiros só vão até ao terceiro andar. Para subirem ao quinto cobravam quarenta euros à subida e outro tanto à descida.

O idoso tem 500 euros de reforma, e a mulher nem isso. E ainda pagam renda de casa. Para lá ir uma terapeuta a casa, cobrava o mesmo.

MAS QUE RAIO DE PAÍS É ESTE?!

Uma pessoa trabalhou a vida toda para chulos comprarem casas às mamãs em off-shore e aqueles que descontaram a vida toda não têm direito a assistência médica porque os bombeiros não querem subir mais dois andares?!

Então e se a casa pegar fogo? No quarto ou no quinto andar? Deixa-se arder porque os bombeiros só vão até ao terceiro andar?! Mas andamos a brincar com quem?! Joga-se assim com a vida das pessoas? "Morra para aí num canto que não queremos saber, só vamos até ao terceiro andar? Peça ao vizinho do terceiro para trocar de casa consigo?"

Andamos a brincar com quem e a quê, afinal? Gasta-se rios de dinheiro com RSI com quem nunca levantou um braço para trabalhar, dá-se reformas chorudas a quem afunda o país (fora regalias milionárias) e para idosos presos a cadeira de rodas não há nada senão abandono?!

domingo, 10 de julho de 2011

SOS



Como é possível que duas pessoas vivam lado a lado sem se conhecer? Como é possível percorrerem mundos equivalentes, mas ao mesmo tempo equidistantes?

Ainda juntos mas cada vez mais distantes...

Será necessário um SOS?

É mesmo como diz a música, It used to be so nice, it used to be so good.

How can I carry on, my dearest? You make me feel alive. You truly do.

Why are we so apart?

Can't you hear me?

SOS.

sábado, 9 de julho de 2011

No no le ta


Quando ouvi esta música pela primeira vez, era garota e era uma versão portuguesa cantada pelos Onda Choc. E a música ficou-me sempre no ouvido.

Anos mais tarde, ouvi uma jovem num "Chuva de Estrelas" a cantá-la. Não sei que diga. Esta música parece que me paralisa, canta-me à alma de uma forma como poucas o fazem. Toca-me numa corda íntima que nem todas alcançam.

É tão, tão linda...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Crossroads


Acho que cheguei àquela altura em que nos deparamos com uma encruzilhada na nossa vida e não sabemos por onde ir. Ou por outra, até sabemos mas não temos dinheiro para prosseguir.

Ou então não temos apoio, ou não temos confiança, ou não temos hipóteses.

Depois junta-se o desânimo. E a tristeza. E a revolta.

E pensamos, para quê tanto trabalho?

Amanhã é outro dia.

sábado, 2 de julho de 2011

Selos



Não sei o que fazer com isto, confesso-o honestamente. Luar, agradeço-te muito, mas vais ter de me explicar como é que isto se põe. Fico sensibilizada que te tenhas lembrado de mim, mas agora sê uma fofa e explica lá onde é que isto se põe (salvo seja).

Entretanto, ontem dei um passo diferente. Foi em frente, pelo menos assim o espero, mas foi diferente. Algo que já tinha feito anteriormente, mas numa altura em que era demasiado imatura. Veremos no que dá.

Amnésia ou Miséria??



Já não sei o que lhe chamar, muito francamente. Quero dizer, conheço as músicas do Panda de cor e salteado; trauteio a música da bruxa Babiruxa e tenho as bandas sonoras da Disney gravadas; sei o Vitinho de trás para a frente, e embirro com os patinhos. Conheço as músicas da Carochinha de cor – mas não faço ideia do que raio jantei ontem!!!!!!!

Já me tinham avisado, gravidez provoca amnésia. E é um facto que já não me lembro da altura do parto – tenho uma vaga ideia que gritei, lol. Mas alguns pormenores tornaram-se difusos com o tempo.

Depois veio a época do acordar de 3 em 3 horas – ou nem sequer chegar a adormecer, como tantas e tantas vezes aconteceu – das fraldas, dos biberões e de tropeçar nos próprios pés. E levando em consideração o que aconteceu nesta altura, ainda hoje me pergunto, olhando para trás, como raio é que aguentei. Mas mesmo assim, vejo isto tudo à distância, como se tivesse ocorrido com outra pessoa ou fosse como um filme, já visto e revisto.

Isto é amnésia ou miséria? PDI ou sobrevivência da raça humana? Só isso é que explica os irmãos, penso eu... Que hajam casais que tenham vários filhos.

Lembro-me das fraldas, da quantidade de vezes que fui despejar o lixo “de urgência”. Vejo o Rei Leão e o Panda do Kung Fu non stop, cinco vezes por dia, e tento que cada vez seja a primeira – feito que é cada vez mais difícil, pelo menos para mim. Mas não me lembro onde enfiei o telemóvel.

Sei falas do Monsters Inc de cor e salteado; mas não me consigo lembrar se já pus sal na comida.

Conheço Tarzan de trás para a frente, mas esqueço-me do que fui comprar ao supermercado, faço a lista e esqueço-me dela em casa.

Esqueço-me de tudo no meu dia a dia; mas tudo quanto diga respeito ao meu pequerrucho, eu sei de cor e de nada olvido.

E depois olho para mim, para o meu piolhito que a cada dia me encanta cada vez mais e penso: e faria tudo outra vez.

Está comprovada a minha teoria.

Os putos provocam amnésia.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Areia, Água e uma Criança



No Domingo pela primeira vez o meu piolhito foi à praia. E foi mesmo pela primeira vez, em toda a sua vida.

Como em casa é um patinho autêntico na banheira, pensei que ia ter de estar com sete olhos nele e que ia a correr para a água mal a visse.

Esqueci-me é que é bem filho do seu paizinho, e água só quentinha.

Mal molhou os pés, achou a água fria e voltou para a areia molhada. E ali ficou, a brincar com a pá, o ancinho, o baldinho e toda a parafernália da praia.

Já a mãe aproveitou para ir a banhos. E quando estava repousada em cima da toalha, a gozar cinco minutos de descanso, o “croquete” – porque por esta altura ele já estava coberto de areia molhada – achou por bem despejar-me o balde cheio de areia em cima. E quando me levantei de repente, olhou para mim com ar cândido e disse:

- Olá, mãe!

E assim fica provado o segredo da sobrevivência dos bebés: fazem uma asneira, põem um ar angelical e cândido e já não é nada com eles, porque os pais se derretem todos.

Correcção: a mãe derrete-se toda. O pai estava a ter dificuldades em controlar o ataque de riso.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Treino Continua


O treino do bacio está-me a fazer cabelos brancos. Não só tenho de ter a esfregona sempre a postos como tenho um número de urgência em speed dial. Ou, por outras palavras, o pequerrucho grita por mim.

O mais giro não é quando não acerta a tempo e horas no bacio, ou quando faz mal se levanta. É quando efectivamente acerta e depois vem todo orgulhoso mostrar-me o bacio. Escusado será dizer que entorna.

Yep, mais um dia de treinos.

E agora, que ele aprendeu a atirar as culpas para cima do cão? "Mamã o cão é porco"...

Coitado do canito, que nem anda pelo mesmo lado da casa.

Enfim, resultados de hoje (até agora): bacio 0 - chão 3

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Se o IVA não aumentou, de onde vieram estes aumentos?!?!?!?!


Realmente, o IVA pode não ter aumentado no Pingo Doce, mas tudo o resto disparou à lua.

Se há coisa que eu detesto, são mentirosos. E quando são mentirosos apanhados na curva, então ainda pior. Sobretudo porque quando quero que me mintam, sintonizo o canal Parlamento e fico ali alegremente a ser estupidificada por fulanos engravatados que têm uma grande conversa, num português muito cuidado, mas depois nem sabem a quantas andam.

Mas realmente ao Pingo Doce (doravante PD para abreviar) ninguém pode chamar mentiroso - afinal, só disseram que o IVA não subia. Quem é que falou nos preços base?

Senão, vejamos:

* Em Dezembro do ano passado, 200 grs coco ralado custavam 0,39 € (e para o coco que eu gasto cá em casa, bem podia ir plantar coqueiros!!) - agora custam 0,80 €, sendo que os mesmos 0,40 € vão para 100 grs de produto!

* A semana passada uma embalagem de puré congelada marca PD custava 0,89 €; agora custa 1,29 €

* A semana passada uma embalagem de manteiga marca da casa custava 0,89 €; agora custa 0,99 €.

* Uma embalagem de frutos vermelhos congelados de 250 grs custava 1,99 € há umas semanas; hoje os mesmos 1,99 € só pagam 125 grs de produto.

Isto são apenas alguns exemplos que sei de cabeça, porque se me puser a comparar talões (sim, eu sei que sou sentimental, mas nem os talões do PD deito fora; é a minha personalidade encantadora, o que é que querem???)

Já para não falar no facto de ter fruta importada de Espanha, de França, do Chile, de Cascos-de-Rolha-Futebol-Clube, que não vale uma casca de alho, e a nossa, que é tão boa, apodrece nas árvores e é vendida a um preço largamente superior! Eu não quero melão de Espanha, quero melão de Portugal! Quero melancia de Portugal! Quero maçãs de Portugal! Quero laranjas de Portugual! Quero fruta portuguesa! Ou terei de ir a Espanha comprá-la?!

Mas afinal andamos a brincar com quem?! Se o IVA não aumenta, o que é que aumentou, para além da margem de lucro do Jerónimo Martins?!

Ò tio Jiji, já não tenho padrinho, estou disponível para adopção! A quem é que vai deixar esse dinheiro tão arduamente chulado ao povo português?!

Um Pequeno Passo Para o Bebé...


Hoje dormiste na tua caminha nova pela primeira vez. Já não dormes no teu berço de grades, o qual parece que ainda te chama.

Ou se calhar chama-me a mim, que queria que ficasses bebé mais algum tempo. As tuas feições de bebé desvaneceram-se e agora estás transformado num lindo rapazinho. Mas continuas a ser o bebé da mamã.

Fui ver-te a meio da noite, como faço sempre. Eram quatro e meia da manhã e tu dormias o sono dos justos, aninhado na cama. Uma figura tão pequenina perdida na imensidão de lençóis. A teu lado, o teu bebé de peluche que não largas, a chucha caída e esquecida num canto. Sempre foste assim, não adormeces sem ela, mas a seguir deita-la fora.

Estás a crescer, meu amor. Já dizes muita coisa, sabes o que queres e não tens problemas em afirmar-te, ora com um sorriso malandro, ora com ar teimoso de quem prefere mover uma montanha ao pontapé do que mudar de opinião.

A minha pipoquinha cresceu e está a transformar-se numa criança animada e cheia de vida.

O sol para mim nasce quando te levantas e brindas o mundo com o teu sorriso lindo. Nunca te levantas maldisposto, ao contrário da tua mãe, que nunca tem bom acordar. Tens sempre um sorriso e a tua primeira palavra nunca é “olá”. Regra geral, é “Fu”. Um dia destes inscrevo-te no Kung Fu para que possas treinar como o panda.

Amo-te muito, meu pequenino. Por muito crescido que sejas, ainda és e serás sempre o meu bebé.

Atão mas atão????



Ontem vi uma notícia no Telejornal (já não me lembro de que canal porque passo a vida a fazer zapping e para mim é tudo Telejornal), sobre as novas restrições para as prisões.

Familiares indignados queixavam-se que não podiam levar comida, ou que só podiam levar determinadas quantidades de comida, que as visitas conjugais – ou, melhor dizendo, os deveres conjugais – estavam restringidos a determinadas alturas, e que todas as prisões se regulavam agora por um Regulamento Único. E ouvi falar deste Regulamento Único como se fosse a vinda de um Messias há muito profetizado, pelo menos da boca do engravatado atrás de uma secretária que um jornalista qualquer entrevistou.

Até aqui tudo mais ou menos normal, não fossem as queixas dos reclusos cá para fora, que se queixam da comida das prisões, da diminuição das visitas conjugais, das famílias terem de adquirir o tabaco dentro da prisão – e por isto parto do pressuposto que haja uma tabacaria lá dentro – e que me levou a pensar numa importante questão: mas afinal eles estão na prisão ou num hotel?! Roubaram, mataram, violaram, espancaram, fizeram sabe-se lá o quê para lá estarem – e levando em consideração a nossa treta de sistema judicial, é capaz de ter sido grave – e reclamam por não terem tantas visitas conjugais nem tanta comida trazida de casa como antigamente?!

Conheço casais que têm menos “visitas conjugais” que alguns reclusos, e ninguém os houve queixarem-se – ou por outra, não vêm para a televisão dizê-lo. E no entanto dormem na mesma cama, partilham uma vida em comum. Só não partilham mesmo os “deveres conjugais”.

É estranho como as coisas são.

Claro que se disserem que tomam banho de água fria, isso já é outra coisa, até porque preserva a pele mas provoca pele-de-galinha. Têm direito à água quente como toda a gente, completamente certo, não sejamos desumanos – e não, não estou a ser irónica, estou a falar a sério. E claro que têm direito a queixarem-se, mas por amor da santa! Da forma como falaram ontem na tv, fiquei na dúvida se estávamos a falar do sistema prisional ou de algum hotel de cinco estrelas!

E outra coisa que ninguém focou foi se a prisão dos advogados, políticos, etc..., onde esteve o Vale Azevedo e outros trapaceiros como ele, que roubaram muito mais do que os pobres desgraçados das outras prisões, se queixam da comida, da diminuição das visitais conjugais ou da água fria ou se andam caladinhos que nem uns ratinhos porque a comida é de hotel, providenciada por um serviço de catering, a água vai quentinha e ainda têm court de ténis para não se aborrecerem. Claro que se me disserem que esses mesmos “ricopresos” têm a mesma gosma para comer que servem nas prisões normais, eu fico desconfiada. Afinal, se roubar um pão é ladrão; se roubar um milhão, é barão. Então e aqueles que roubam aos milhões os pães de tanta e tanta gente?!

Atão mas atão?!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Love Changes Everything



Sem querer reportar-me ao óbvio, o amor mudou imenso a minha vida. Não só passei a partilhar a cama, como a pilha de roupa para lavar e passar aumentou exponencialmente. E já nem falo no calçado espalhado pela casa.

Mudou porque passei a ter a meu lado um ombro amigo, que me leva ao desespero com os seus disparates bem-dispostos, mas que me apoia, me ouve, me compreende.

Como raio é que vieste parar à minha vida? Não diria que caíste do céu, mas andaste lá perto.

Espera, já sei. Mudei de restaurante onde ia almoçar todos dias. E eu que só queria variar o que comia ao almoço. Variei a vida toda, lol.

E agora temos um piolhito que te adora e que acha que és o herói dele. Hoje saíste de manhã em direcção ao autocarro, e o nosso menino ficou a chamar por ti. Deu-me pena ver o seu rostinho franzido a chamar:

- Pai! Anda cá ao J'ão!

Sabes aquela forma que ele tem de contrair o nome dele? Hoje contraiu ainda mais, à medida que tu te afastavas e não olhavas sequer para trás e ele franzia mais e mais a testa.

Ficou triste. Fartou-se de perguntar por ti. E por mais que lhe dissesse “O papá foi ganhar tostão pa comprar papinha para a rabiguinha do João”, ele não sossegava. Olhava para a curva por onde tinhas desaparecido, à espera de te ver aparecer.

Quem apareceu foi o autocarro, atrasada como sempre, e tu ficaste para trás. O nosso menino já quer ir sentado no seu lugar, sem ser ao colo, quer carregar no botão para parar e quer ir a espreitar pela janela. E diz sempre: “O cão não vem, mãe”. Pobre cão, que ficou em casa a chorar porque ficou sozinho, porque sente saudades dos donos e porque acha injusto não poder vir com a dona, ele que até se porta bem e aninha-se a meus pés.

Depois saímos na paragem ao pé da creche. Foi o caminho todo a amuar, a dizer “nã quelo” cada vez que dizia que ia ver os seus amiguinhos. Mas foi. E mal chegámos à entrada da creche, deu dois pulos para o ginásio, encontrou um triciclo vazio e largou-me a mão, dizendo sem olhar para trás:

- Xau, mãe!

Não fosse alguém roubar-lhe o triciclo. Nem me passou mais cartão.

Antigamente, passava noites sem dormir a tentar decifrar o Livro Egípcio dos Mortos. Agora, passo noites sem dormir por causa do nosso menino, que está a evoluir de bebé para rapazinho. E não perdia isto por nada deste mundo.

sábado, 11 de junho de 2011

Era uma Vez



Sou uma portuguesa típica. Saudade devia ser o meu nome do meio.

Hoje passei no youtube para entreter o meu pequerrucho com algumas musiquinhas. "A loja do Mestre André", "O Balão do João", etc...

Dali a passar para a "Ana dos Cabelos Ruivos", "Era uma Vez a Vida", "L'Aventures de Les Cités D'Or", "O Panda Tao Tao", "D'Artagnan", etc, foi um pulinho.

Isto é que eram desenhos animados. Ensinava. Ainda hoje são actuais. Não eram violentos, ou traziam a violência disfarçada, e todos os miúdos compreendiam.

Era a única maneira da minha avó ter sossego lá em casa, era das cinco às seis da tarde, em que reunia a criançada toda na sala para vermos televisão. A hora do "Brinca Brincando" era sagrada - até para ela, que se sentava connosco a ver. A hora do almoço e do "Não se Brinca com a Comida" ia longe, e havia expectativa no ar. Sabíamos o que íamos ver, e estávamos desertinhos de ver os novos episódios. Pela primeira vez no dia não havia castigos, nem bulhas, nem puxões de cabelos nem esses mimos com que as crianças se mimoseiam umas às outras - o banco dos castigos tinha o meu nome escrito lol, às vezes ainda não tinha acabado de me levantar e já lá estava outra vez.

Ainda hoje associo os glóbulos brancos do corpo aos polícias do desenho animado.

Aprendíamos enquanto víamos bonecos animados. E hoje? Murros, pontapés, sangue, violência... até tremo pelo meu filho.

Por isso, continuo a pôr estes desenhos para ele ver no computador o que a mãe via na televisão quando tinha a idade dele.

Era bastante mais saudável e educativo.

We Are the World


Esta é outra música que me toca no fundo da alma.

Mas, como tudo, deixa-me cá com umas quantas questões.

Os problemas em África foram grandemente causados pelos outros. Europeus, Americanos, Russos... Quem está isento de culpas? E isso interessa, ao fim deste tempo todo? Portanto, termos "USA for Africa" é um engano... ou um descargo de consciência.

Esta letra é linda. Quem a escreveu foi Michael Jackson. Descobri-o recentemente. Era suposto o Prince ter ido ter com ele para escreverem a letra juntos, mas nunca apareceu e Michael não quis faltar ao que tinha prometido e esteve até às quatro da manhã a terminar a letra, para estar às oito no estúdio.

De Michael Jackson sabe-se muita coisa, tudo quanto vinha escrito nos jornais era história. Mas a verdade é que se o homem tivesse tempo para fazer tudo aquilo de que o acusam, o dia para ele tinha 48 horas.

A música é linda. Fantástica, direi mesmo.

E embora sejamos realmente o mundo, cada vez menos se vê dar e cada vez mais se vê cobrar.

O mundo da música nunca mais foi o mesmo sem ti, Michael.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Treino do Bacio


Poucas coisas me assustam tanto como a empresa hercúlea que me espera com o meu filhote: o terrível, temido e nada ansiado treino do bacio.

Não sei se já mencionei aqui que o meu piolhito é extremamente teimoso, o que não ajuda em nada ao treino do bacio.

Hoje deixei-o andar sem fraldas um bocado e mostrei-lhe o bacio, sentei-o lá, estivemos à conversa com ele, eu e o pai, e ele andou a brincar enquanto lá estava sentado.

Nisto levantou-se e foi fazer xixi à carpete.

Portanto, neste momento estamos: bacio 0 - carpete 1.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Song For Nadim



Ainda hoje esta música me traz lágrimas aos olhos. Ainda me lembro de ver o menino, na TV, a andar numa cidade semi destruída pela guerra, e a sua voz em fundo a pedir para o pai vir para casa.

A tristeza cobre-me o coração e a alma por saber que há tantas crianças por esse mundo fora a quem a guerra tirou os pais. É verdade que pai nenhum devia ter de enterrar os seus filhos, mas também não é menos verdade que não devia ser uma criança a fazê-lo.

Gostava de saber o que foi feito do pequeno Nadim que de maneira tão ternurenta pede ao pai para vir para casa.

O meu filho adora estar com o pai, brincar com o pai, desafiar o pai. O pai é o seu herói. Não me imagino a criar o meu filho sozinha, sem esta importante figura a meu lado.

Amo o meu marido e o meu filho, mas sei que o amor que eles têm entre os dois ultrapassa tudo.

Cinquenta vezes ouço a voz pequenina do meu bebé perguntar: “O piupiu?” E cinquenta vezes ouço o meu marido responder: “Está ali, olha ali o piupiu”. Primeiro divertido, depois exasperado, e por fim resignado. E tantas vezes quantas ele perguntar, tantas ele responde.

Obrigado, meu amor, por fazeres parte da minha vida, por me teres dado um filho tão lindo e por seres quem és.

Amo-te e amo o nosso cachopo mimado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tou cá com umas ganas...



Tenho feito esta pergunta a mim mesma muitas vezes. O que faria Sojourner Truth no meu lugar?

Para os mais distraídos, Sojourner Truth foi uma mulher que se bateu pelos direitos à liberdade dos escravos. Uma mulher como há poucas, quer na altura, quer hoje. Aliás, ao ler a biografia dela, apercebo-me que é uma mulher como há poucos homens, e então que eu conheça... enfim é melhor não seguirmos por aqui.

Graças à lei do Trabalho, que pelos vistos tem mais buracos que uma peneira, uma entidade patronal pode ficar com metade do subsídio de férias do trabalhador apenas porque sim, e dá-lo apenas no final do mês de Dezembro.

Eu sei que não sou particularmente uma pessoa iluminada em muitos aspectos, mas pelo menos isto eu sei: se a pessoa vai de férias em Julho, não deveria receber o subsídio em Julho? Tem de ficar à espera de Dezembro (final do mês de Dezembro, note-se, quando o Natal também já passou e se traduz numa azia pós-festa)? Sublinhe-se o facto de estarmos à espera do subsídio de férias, não de natal, nem de quando Deus quiser.

É isto que me querem fazer este ano. E como de cada vez que me sinto a ser lixada, contorço-me e procuro formas de provar que não só isto é etica e moralmente reprovável, como é fodido. Não sou a única a estar à espera do subsídio de férias para comprar coisas para mim que de outra forma não consigo. Não estou à espera do subsídio para alugar uma casa algures num condomínio fechado com vista para o mar. Preciso do subsídio para ir graduar a vista e comprar umas coisas para a casa. E preciso agora, não é em Dezembro. A continuar conforme estou, em Dezembro já estou pitosga de todo.

Mas o que me lixa mais nesta abençoada ideia não é o facto de me estarem a querer lixar metade do que é meu por direito; é não terem tomates para mo fazerem cara a cara. É fazerem pelas costas e dizerem, “é uma decisão da maioria”. Maioria de quê, especificamente? Quem é que decidiu quando é que eu devo receber o que é meu por direito? E já agora, quem foi o corajoso cobarde que não foi homem o suficiente para assumir as consequências dos seus actos, para enfrentar a classe de trabalhadores que lixou, remetendo-se para um sms através de uma das suas assistentes?

SMS! Fiquei a saber que ia ser lixada por SMS! E viva o séc. XXI! Tiram-me um direito adquirido e nem têm a decência de dar a cara.


E o ridículo é que só fomos avisados porque perguntámos primeiro: “Afinal como é que é?” Porque senão chegávamos à altura e ficávamos a olhar para as mãos.

Estão a ver a fúria que fervilha em lume brando, mas a dada altura atinge o ponto de ebulição? Já esteve mais longe para me saltar a tampa. Muito mais longe.

Psicologia Inversa



A seguir à Psicologia Aplicada, a Psicologia Inversa foi outra coisa que me deu água pela barba.

Como fazer desenhos com a comida é algo que me faz confusão ("Não se brinca com a comida!"), tentei a Psicologia Inversa.

Por diversas vezes reparei que com o meu filho era a única coisa que parecia resultar. Eu digo-lhe “não faças!”, ele faz. Digo-lhe “faz!”, ele olha para mim com ar malandro e diz: “Não!”

É do contra, portanto (pergunto-me a quem sairá ele...).

Como é complicado dar-lhe carne que não esteja picada, tentei ir pelo inverso. Servi-lhe um prato com bife cortado aos bocadinhos liliputianos, arroz e batatas, tudo escrupulosamente separado (só me faltou ir buscar a fita métrica para medir os espaços entre os alimentos, mas depois achei que era levar a obsessão muito longe). Quando ele atacou o acompanhamento e afastou o bife para o lado, ainda tentei a via do normal:

- Filhote, papa a xixinha, é tão boa...

- Não! –respondeu logo ele, o sorriso malandro a aparecer. Safadinho!

Olhei para o meu marido, mas ele fingiu que não via. Voltei para o miúdo e continuei:

- Também acho, filho! Não comas, não presta! Xixa má.

Ele olhou para mim e as covinhas que aparecem sempre que ele sorri fizeram uma aparição bastante acentuada no seu rostinho infantil:

- Xixa má! Nã quelo!

E agarra na “xixa má” e dá descaradamente ao cão, que escancarou aquela cloaca para garantir que não caía nada no chão!

- Não dá ao cão, filho! –repreendo. Ele olha para mim e repete:

- Xixa má! Nã quelo!

Tento emendar a minha gaffe monumental:

- Filho, aquela xixa era má, mas esta é boa, olha, vês? A mamã e o papá papam a xixa!

- Xixa não!

E não comeu a carne! Para já não dizer que no fim daquilo tudo também já não me apetecia o bife.

Quando à Psicologia Invertida, estamos conversados.