domingo, 5 de junho de 2011

Desilusão



O que leva uma miúda inteligente, culta e bonita a atracar-se a um bardajão inculto, cuja única característica que ressalta é ter meia pinta de cara?

Quando me disseram que o rapaz tinha tirado o nono ano, confesso que fiquei espantada. A criatura sabe ler?! Bem, é certo que para se tirar o nono ano não se precisa de saber ler e escrever, basta ter boas cábulas. E pelo menos nisso o rapazolas acertou, soube fazê-las.

O que vai ser da tua vida, K.? Achas mesmo que esse cretino inculto te faz feliz? Dá-te sexo. Não é a mesma coisa e não é tudo na  vida. O que sabes tu da vida, das dificuldades, do teres de te levantar sozinha? Tiveste sempre gente para te fazer tudo, tiveste sempre tudo de mão beijada! Fazes as asneiras, choras baba e ranho quando regressas e - coisa curiosa! - nem sequer ficas com a cara inchada depois de chorares! Será que só quando eu choro, é que fico com a cara num susto? Ou será que, no teu caso, não passa tudo de teatro? De manipulação?

Já não te conheço, já não sei quem és. E aquilo que fizeste é imperdoável, não pelo acto em si, mas pela falsidade que demonstraste ter. Uns viram, outros não quiseram ver, mas tu sabes o que fizeste e quão airosamente te saíste desta confusão. E de forma geral, foste tratada como uma filha pródiga de regresso.

Eu não mato o bezerro nem bebo à saúde do inútil bardajão. Amo-te muito, minha querida, mas por vezes o amar também passa por ser dura. Inflexível.

Já sei que não vais valorizar nada do que te estou a dizer, e que te estás positivamente nas tintas para o que te digo, desde que consigas manipulá-los a teu bel prazer. E assim vais continuar até ao dia em que eles já cá não estiverem, até que batas com a cabeça na parede e descubras a enormidade do erro que estás a cometer.

E espero sinceramente que nessa altura não seja tarde demais e que te apercebas do que fizeste e das consequências dos teus actos.

Porque até agora tens tido uma vida que é um mar de rosas. Mas todas as rosas têm os seus espinhos, e queira Deus que não te piques mais do que era devido se a tempo tens aberto os olhos.

Entristeceste-me.

Desiludiste-me.

Já não te conheço.

Não és quem eras.

E tudo porquê? Por uma relação onde o único benefício que tiras é o sexo? Onde está o companheirismo, a amizade, a partilha?

Espero que o sexo com ele seja mesmo bom, porque qualquer dia estás sozinha e a viver de recordações.

1 comentários:

Luar disse...

A tua revolta é a minha, mas mais que revolta é a impotência que me preocupa ... o nada conseguir fazer.
Vi o que viste, assisti ao mesmo que tu!
Aliás...estou a desistir de lutar por ela...sinto-me cansada.
Está a fazer a cama em que se vai deitar! Pelo menos a minha consciência...está tranquila.

Beijos querida...e lembra-te que nada somos, mas tudo tentámos fazer!

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