terça-feira, 28 de junho de 2011

Areia, Água e uma Criança



No Domingo pela primeira vez o meu piolhito foi à praia. E foi mesmo pela primeira vez, em toda a sua vida.

Como em casa é um patinho autêntico na banheira, pensei que ia ter de estar com sete olhos nele e que ia a correr para a água mal a visse.

Esqueci-me é que é bem filho do seu paizinho, e água só quentinha.

Mal molhou os pés, achou a água fria e voltou para a areia molhada. E ali ficou, a brincar com a pá, o ancinho, o baldinho e toda a parafernália da praia.

Já a mãe aproveitou para ir a banhos. E quando estava repousada em cima da toalha, a gozar cinco minutos de descanso, o “croquete” – porque por esta altura ele já estava coberto de areia molhada – achou por bem despejar-me o balde cheio de areia em cima. E quando me levantei de repente, olhou para mim com ar cândido e disse:

- Olá, mãe!

E assim fica provado o segredo da sobrevivência dos bebés: fazem uma asneira, põem um ar angelical e cândido e já não é nada com eles, porque os pais se derretem todos.

Correcção: a mãe derrete-se toda. O pai estava a ter dificuldades em controlar o ataque de riso.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Treino Continua


O treino do bacio está-me a fazer cabelos brancos. Não só tenho de ter a esfregona sempre a postos como tenho um número de urgência em speed dial. Ou, por outras palavras, o pequerrucho grita por mim.

O mais giro não é quando não acerta a tempo e horas no bacio, ou quando faz mal se levanta. É quando efectivamente acerta e depois vem todo orgulhoso mostrar-me o bacio. Escusado será dizer que entorna.

Yep, mais um dia de treinos.

E agora, que ele aprendeu a atirar as culpas para cima do cão? "Mamã o cão é porco"...

Coitado do canito, que nem anda pelo mesmo lado da casa.

Enfim, resultados de hoje (até agora): bacio 0 - chão 3

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Se o IVA não aumentou, de onde vieram estes aumentos?!?!?!?!


Realmente, o IVA pode não ter aumentado no Pingo Doce, mas tudo o resto disparou à lua.

Se há coisa que eu detesto, são mentirosos. E quando são mentirosos apanhados na curva, então ainda pior. Sobretudo porque quando quero que me mintam, sintonizo o canal Parlamento e fico ali alegremente a ser estupidificada por fulanos engravatados que têm uma grande conversa, num português muito cuidado, mas depois nem sabem a quantas andam.

Mas realmente ao Pingo Doce (doravante PD para abreviar) ninguém pode chamar mentiroso - afinal, só disseram que o IVA não subia. Quem é que falou nos preços base?

Senão, vejamos:

* Em Dezembro do ano passado, 200 grs coco ralado custavam 0,39 € (e para o coco que eu gasto cá em casa, bem podia ir plantar coqueiros!!) - agora custam 0,80 €, sendo que os mesmos 0,40 € vão para 100 grs de produto!

* A semana passada uma embalagem de puré congelada marca PD custava 0,89 €; agora custa 1,29 €

* A semana passada uma embalagem de manteiga marca da casa custava 0,89 €; agora custa 0,99 €.

* Uma embalagem de frutos vermelhos congelados de 250 grs custava 1,99 € há umas semanas; hoje os mesmos 1,99 € só pagam 125 grs de produto.

Isto são apenas alguns exemplos que sei de cabeça, porque se me puser a comparar talões (sim, eu sei que sou sentimental, mas nem os talões do PD deito fora; é a minha personalidade encantadora, o que é que querem???)

Já para não falar no facto de ter fruta importada de Espanha, de França, do Chile, de Cascos-de-Rolha-Futebol-Clube, que não vale uma casca de alho, e a nossa, que é tão boa, apodrece nas árvores e é vendida a um preço largamente superior! Eu não quero melão de Espanha, quero melão de Portugal! Quero melancia de Portugal! Quero maçãs de Portugal! Quero laranjas de Portugual! Quero fruta portuguesa! Ou terei de ir a Espanha comprá-la?!

Mas afinal andamos a brincar com quem?! Se o IVA não aumenta, o que é que aumentou, para além da margem de lucro do Jerónimo Martins?!

Ò tio Jiji, já não tenho padrinho, estou disponível para adopção! A quem é que vai deixar esse dinheiro tão arduamente chulado ao povo português?!

Um Pequeno Passo Para o Bebé...


Hoje dormiste na tua caminha nova pela primeira vez. Já não dormes no teu berço de grades, o qual parece que ainda te chama.

Ou se calhar chama-me a mim, que queria que ficasses bebé mais algum tempo. As tuas feições de bebé desvaneceram-se e agora estás transformado num lindo rapazinho. Mas continuas a ser o bebé da mamã.

Fui ver-te a meio da noite, como faço sempre. Eram quatro e meia da manhã e tu dormias o sono dos justos, aninhado na cama. Uma figura tão pequenina perdida na imensidão de lençóis. A teu lado, o teu bebé de peluche que não largas, a chucha caída e esquecida num canto. Sempre foste assim, não adormeces sem ela, mas a seguir deita-la fora.

Estás a crescer, meu amor. Já dizes muita coisa, sabes o que queres e não tens problemas em afirmar-te, ora com um sorriso malandro, ora com ar teimoso de quem prefere mover uma montanha ao pontapé do que mudar de opinião.

A minha pipoquinha cresceu e está a transformar-se numa criança animada e cheia de vida.

O sol para mim nasce quando te levantas e brindas o mundo com o teu sorriso lindo. Nunca te levantas maldisposto, ao contrário da tua mãe, que nunca tem bom acordar. Tens sempre um sorriso e a tua primeira palavra nunca é “olá”. Regra geral, é “Fu”. Um dia destes inscrevo-te no Kung Fu para que possas treinar como o panda.

Amo-te muito, meu pequenino. Por muito crescido que sejas, ainda és e serás sempre o meu bebé.

Atão mas atão????



Ontem vi uma notícia no Telejornal (já não me lembro de que canal porque passo a vida a fazer zapping e para mim é tudo Telejornal), sobre as novas restrições para as prisões.

Familiares indignados queixavam-se que não podiam levar comida, ou que só podiam levar determinadas quantidades de comida, que as visitas conjugais – ou, melhor dizendo, os deveres conjugais – estavam restringidos a determinadas alturas, e que todas as prisões se regulavam agora por um Regulamento Único. E ouvi falar deste Regulamento Único como se fosse a vinda de um Messias há muito profetizado, pelo menos da boca do engravatado atrás de uma secretária que um jornalista qualquer entrevistou.

Até aqui tudo mais ou menos normal, não fossem as queixas dos reclusos cá para fora, que se queixam da comida das prisões, da diminuição das visitas conjugais, das famílias terem de adquirir o tabaco dentro da prisão – e por isto parto do pressuposto que haja uma tabacaria lá dentro – e que me levou a pensar numa importante questão: mas afinal eles estão na prisão ou num hotel?! Roubaram, mataram, violaram, espancaram, fizeram sabe-se lá o quê para lá estarem – e levando em consideração a nossa treta de sistema judicial, é capaz de ter sido grave – e reclamam por não terem tantas visitas conjugais nem tanta comida trazida de casa como antigamente?!

Conheço casais que têm menos “visitas conjugais” que alguns reclusos, e ninguém os houve queixarem-se – ou por outra, não vêm para a televisão dizê-lo. E no entanto dormem na mesma cama, partilham uma vida em comum. Só não partilham mesmo os “deveres conjugais”.

É estranho como as coisas são.

Claro que se disserem que tomam banho de água fria, isso já é outra coisa, até porque preserva a pele mas provoca pele-de-galinha. Têm direito à água quente como toda a gente, completamente certo, não sejamos desumanos – e não, não estou a ser irónica, estou a falar a sério. E claro que têm direito a queixarem-se, mas por amor da santa! Da forma como falaram ontem na tv, fiquei na dúvida se estávamos a falar do sistema prisional ou de algum hotel de cinco estrelas!

E outra coisa que ninguém focou foi se a prisão dos advogados, políticos, etc..., onde esteve o Vale Azevedo e outros trapaceiros como ele, que roubaram muito mais do que os pobres desgraçados das outras prisões, se queixam da comida, da diminuição das visitais conjugais ou da água fria ou se andam caladinhos que nem uns ratinhos porque a comida é de hotel, providenciada por um serviço de catering, a água vai quentinha e ainda têm court de ténis para não se aborrecerem. Claro que se me disserem que esses mesmos “ricopresos” têm a mesma gosma para comer que servem nas prisões normais, eu fico desconfiada. Afinal, se roubar um pão é ladrão; se roubar um milhão, é barão. Então e aqueles que roubam aos milhões os pães de tanta e tanta gente?!

Atão mas atão?!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Love Changes Everything



Sem querer reportar-me ao óbvio, o amor mudou imenso a minha vida. Não só passei a partilhar a cama, como a pilha de roupa para lavar e passar aumentou exponencialmente. E já nem falo no calçado espalhado pela casa.

Mudou porque passei a ter a meu lado um ombro amigo, que me leva ao desespero com os seus disparates bem-dispostos, mas que me apoia, me ouve, me compreende.

Como raio é que vieste parar à minha vida? Não diria que caíste do céu, mas andaste lá perto.

Espera, já sei. Mudei de restaurante onde ia almoçar todos dias. E eu que só queria variar o que comia ao almoço. Variei a vida toda, lol.

E agora temos um piolhito que te adora e que acha que és o herói dele. Hoje saíste de manhã em direcção ao autocarro, e o nosso menino ficou a chamar por ti. Deu-me pena ver o seu rostinho franzido a chamar:

- Pai! Anda cá ao J'ão!

Sabes aquela forma que ele tem de contrair o nome dele? Hoje contraiu ainda mais, à medida que tu te afastavas e não olhavas sequer para trás e ele franzia mais e mais a testa.

Ficou triste. Fartou-se de perguntar por ti. E por mais que lhe dissesse “O papá foi ganhar tostão pa comprar papinha para a rabiguinha do João”, ele não sossegava. Olhava para a curva por onde tinhas desaparecido, à espera de te ver aparecer.

Quem apareceu foi o autocarro, atrasada como sempre, e tu ficaste para trás. O nosso menino já quer ir sentado no seu lugar, sem ser ao colo, quer carregar no botão para parar e quer ir a espreitar pela janela. E diz sempre: “O cão não vem, mãe”. Pobre cão, que ficou em casa a chorar porque ficou sozinho, porque sente saudades dos donos e porque acha injusto não poder vir com a dona, ele que até se porta bem e aninha-se a meus pés.

Depois saímos na paragem ao pé da creche. Foi o caminho todo a amuar, a dizer “nã quelo” cada vez que dizia que ia ver os seus amiguinhos. Mas foi. E mal chegámos à entrada da creche, deu dois pulos para o ginásio, encontrou um triciclo vazio e largou-me a mão, dizendo sem olhar para trás:

- Xau, mãe!

Não fosse alguém roubar-lhe o triciclo. Nem me passou mais cartão.

Antigamente, passava noites sem dormir a tentar decifrar o Livro Egípcio dos Mortos. Agora, passo noites sem dormir por causa do nosso menino, que está a evoluir de bebé para rapazinho. E não perdia isto por nada deste mundo.

sábado, 11 de junho de 2011

Era uma Vez



Sou uma portuguesa típica. Saudade devia ser o meu nome do meio.

Hoje passei no youtube para entreter o meu pequerrucho com algumas musiquinhas. "A loja do Mestre André", "O Balão do João", etc...

Dali a passar para a "Ana dos Cabelos Ruivos", "Era uma Vez a Vida", "L'Aventures de Les Cités D'Or", "O Panda Tao Tao", "D'Artagnan", etc, foi um pulinho.

Isto é que eram desenhos animados. Ensinava. Ainda hoje são actuais. Não eram violentos, ou traziam a violência disfarçada, e todos os miúdos compreendiam.

Era a única maneira da minha avó ter sossego lá em casa, era das cinco às seis da tarde, em que reunia a criançada toda na sala para vermos televisão. A hora do "Brinca Brincando" era sagrada - até para ela, que se sentava connosco a ver. A hora do almoço e do "Não se Brinca com a Comida" ia longe, e havia expectativa no ar. Sabíamos o que íamos ver, e estávamos desertinhos de ver os novos episódios. Pela primeira vez no dia não havia castigos, nem bulhas, nem puxões de cabelos nem esses mimos com que as crianças se mimoseiam umas às outras - o banco dos castigos tinha o meu nome escrito lol, às vezes ainda não tinha acabado de me levantar e já lá estava outra vez.

Ainda hoje associo os glóbulos brancos do corpo aos polícias do desenho animado.

Aprendíamos enquanto víamos bonecos animados. E hoje? Murros, pontapés, sangue, violência... até tremo pelo meu filho.

Por isso, continuo a pôr estes desenhos para ele ver no computador o que a mãe via na televisão quando tinha a idade dele.

Era bastante mais saudável e educativo.