sábado, 15 de setembro de 2012

Para o R.



Já passaram duas semanas desde que foste embora. Os restos do jantar vão para o lixo, mas ainda tenho o hábito de pensar "tenho de lhos dar". E depois recordo-me que já cá não estás, e que o que tenho na mão tem como destino o lixo. Costumava dizer na brincadeira que eras a minha "Brigada de Limpeza Canina", pois quando caía alguma coisa aí ias tu ver se era saborosa. Lembras-te quando deixei as espetadas temperadas e tu rapinaste uma? Lembras-te do pacote da mortandela que comeste de empreitada? E o pedaço de torresmo, quase tão grande como tu, que arrastaste para a cozinha, esperando que eu não desse conta?

Ou daquela vez que te atiraste àquele cretino imbecil apenas porque pressentiste que eu o detestava? Nunca pensei que conseguisses reagir assim aos meus sentimentos, estávamos em sintonia.

Foste sempre incapaz de odiar. Eras meigo mesmo quando não conhecias. Crianças, adultos ou idosos, todos conheciam o teu lado meigo. Foi aquela a única vez que te vi zangado. 

Sei que estás melhor agora, que estás permanentemente acompanhado, que já não te sentes só, mas continua a doer a ausência, a sensação que havia algo que podia ter feito e não fiz, algo que estava fora do meu alcance.

Continuam a perguntar por ti, continuo a encolher-me na cama, como se ainda dormisses a meus pés. Quando entro em casa ainda espero encontrar-te, vejo outro igual a ti na rua e penso em ti. Fazes-me tanta falta, a tua companhia silenciosa, como só tu sabias fazer.

Sei que estás melhor agora e só isso é que me permite combater a saudade que sinto.

Ainda bem que estás melhor agora. Acompanhado o dia todo, com crianças para brincar... Sei que estás melhor, meu querido R.


(Imagem tirada do Google)

1 comentários:

Luar disse...

O conforto de o saberes melhor agora é a arma para reconfortar o coração.
Mas se te entendo e como te entendo! Beijos

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