sábado, 28 de janeiro de 2012

Suícidio do Relógio




Tenho cá para comigo que o meu relógio biológico se atirou pela janela e cometeu suicídio.

Andava cá eu a tentar carregar no botão de snooze, porque o meu relógio biológico anda a fazer tic tac - pela segunda vez - quando me pediram para tomar conta dos meus sobrinhos por uma tarde.

Quatro, oito e dez anos, a somar ao meu de três. Quão trabalhoso pode ser??

Yep. Muito trabalhoso, vim a descobrir. Apesar de eles se terem portado excelentemente, descobri que afinal aquele velho ditado não se aplica. Sabem, o de "duas crianças dão o dobro do trabalho de uma".

TÁ BEM TÁ!!!!!!!!!!!!

Quatro crianças não dão o quádruplo do trabalho, dão algumas quinze vezes mais!

Portanto: o meu relógio biológico está temporariamente calado e a casa tá de pantanas. Quando for trabalhar na segunda feira, lembrem-me de me agarrar ao computador aos beijos e abraços.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cansaço

Sinto-me tão cansada ultimamente, sem energia, sem capacidade de concentração. Arrasto-me por uma rotina que é sempre igual, sempre a correr, sempre stressada, sempre irritada. Já não vivo, só sobrevivo, e como eu, outros que diariamente tentam corresponder às exigências do dia a dia e tornam-se mais robots que humanos.

Meu querido menino, meu amor, sem vocês já tinha batido com a cabeça nas paredes ou pior. Vocês são a minha bússola, a minha razão de viver neste dia a dia cada vez mais monótono, numa confusão cada vez maior, num stress terrível e constante.

E eu tento manter a cabeça à tona de água enquanto as marés me correm não já no sangue, mas à minha volta.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Natal na Creche




Penso que não cheguei a mostrar o belíssimo trabalho que o meu marido fez para o nosso garoto levar para a creche no Natal.

Antigamente eram os garotos a trazerem trabalhos para fazer em casa; actualmente, trazem trabalho para os pais fazerem em casa lol. É uma pequena grande diferença.

Neste caso, queriam uma árvore de natal em 3D. O meu maridinho decidiu que em vez de ser uma árvore de natal, seria toda uma sala e com iluminação própria. Investiu uma semana no seu projecto, trabalhando apenas à noite, três ou quatro horas a seguir ao jantar, para fazer esta pequena maravilha. De uma árvore de natal em papel tridimensional, que era afinal o que pretendiam, fez uma bonita sala, com luzes na própria árvore, na lareira, no chão e no tecto. Digam lá que não ficou acolhedor.

Fizeste um excelente trabalho, meu amor.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Traída - Lançamento do Livro



E é já no dia 8 de Janeiro, pelas três e meia da tarde, que será o lançamento do meu livro, Traída!

O evento ocorrerá na livraria "Les Enfants Terribles", na cave do cinema King! Para quem não sabe:

Rua Bulhão Pato, 01B - Dentro do Cinema King

Não percam, fico à vossa espera!

=)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Traída



E o livro está quase quase nas bancas!!!!!

Lembra-se de ter dito que estava numa encruzilhada? Pois é, escolhi um caminho. Escolhi publicar o meu primeiro livro!

Obrigado meu amor pelo apoio que me deste!

Traída, em breve nas bancas!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Mais Importante



Em 2007 tive um pequeno acidente que me atirou para uma baixa de dois meses. Ainda não tinha o meu piolhito, nem ele era ainda imaginado ou sonhado.

A meu lado, sempre incansável, estava a minha avó. A minha sereníssima avó, que mantinha um ar estóico mesmo quando tudo à sua volta parecia desmoronar.

Apesar do acidente e de precisar de muletas para me deslocar, apesar da besta de médico que me calhou na rifa, tive o seu apoio incondicional. E hoje, como então, admiro-a e acarinho cada dia daqueles dois meses.

De manhã - e habituada a acordar cedo - eu costumava ver com ela um filme ou ler um livro ou uma revista. Tinha uma forma muito sua de ver o mundo, habituara-se a interpretá-lo conforme o que lia nos lábios porque era surda parcialmente desde os dez anos. A surdez avançou com a idade, mas a mente continuou arguta. Ninguém a enganava, porque estava sempre atenta.

À tarde, enquanto eu trabalhava nos meus quadros de ponto cruz, ela fazia o seu croché. Sempre incansável a fazer um naperon, uma colcha, o que quer que lhe tivessem encomendado. Enquanto tivéssemos luz, trabalhávamos ambas. A meio da tarde, levantava-se para nos fazer um chá.

Depois, quando comecei a andar só com uma muleta, resolvi um dia ir com ela a Alvalade, passear à Avenida da Igreja. O que ela adorava aquela avenida! Dizia que respirar ali era respirar Lisboa! Era alfacinha de gema, de coração.

Corremos as lojas todas, comprámos papel de embrulho, fita-cola, prendas, tanta coisa! Porque então, como agora, estávamos no Natal. E os olhos dela sorriam, de contentamento. Nunca se queixou de cansaço, como seria natural numa mulher da idade dela.

Só a vi chorar duas vezes na vida, uma de tristeza profunda por ter perdido a irmã - de idade muito avançada - e outra de alegria, quando soube que ia ser bisavó.

Amou o meu filho desde o primeiro momento, como amou todas as crianças. Amou porque estava na sua natureza amar.

E agora, esta senhora tão especial, este doce de avó, tem a mente fechada para mim. A demência avançou e ela já não reconhece praticamente ninguém. E nesta altura custa-me mais do que em qualquer outra porque a recordação daquele Natal de 2007 é forte e vívida e não consigo olhar para o quadro que bordei no dois meses que estive de baixa sem me lembrar dela e do que aqui passámos.

Aquele olhar vívido e inteligente estava aquoso e baralhado da última vez que a vi. Não sei o que vou encontrar quando a rever, mas sei que tenho de a ver porque ainda há uma coisa que tenho de lhe dizer.

Disse-lho várias vezes, por gestos, por cuidados, por carinhos, mas nunca lho disse frontalmente. Nunca lhe disse o quanto a amo. E sinto que é importante dizer-lho. Mesmo que ela já não me reconheça. Mesmo que me doa até o mais profundo da alma.

Porque ela é a minha avó.

domingo, 13 de novembro de 2011

Lealdade Canina



http://sicnoticias.sapo.pt/vida/article982956.ece

Hoje vi uma notícia no telejornal da Sic que me deixou à beira das lágrimas. Não consigo encontrar outro nome para o que aconteceu, que não seja "Lealdade Canina". Podem vê-la clicando no link acima.

Uma senhora, provavelmente já com certa idade, ou talvez não, quem sabe?, levava o seu cão para todo o lado. Só se tinham um ao outro e iam juntos para todo o lado. E foi assim naquele dia. A senhora levou o cão para o posto médico e deixou-o à porta, à sua espera.

A senhora nunca mais voltou a sair. Sentiu-se mal, foi levada para o hospital e lá morreu. O cão ainda hoje lá está, à porta. Decorreram meses. Mas o fiel cãozinho ainda espera pela sua dona, que entrou e não voltou a sair.

Inicialmente ainda ia a casa, à noite. Depois deixou de ir. As pessoas que vivem ali à volta construiram-lhe uma casota e dão-lhe de comer, mas o animal continua à espera daquela que o amou e que ele ainda ama incondicionalmente.

O seu coração fiel não compreende a separação, e até poderia compreender a morte se tivesse visto o corpo da dona. Assim, sem entender a tristeza que o rodeia e porque motivo não a voltou a ver, aguarda. Aguarda à porta.

Há lealdade mais pura do que esta? Há amor mais incondicional que este?

Podem dizer que isto não são notícias para reproduzir no noticiário da noite, mas eu acho o contrário. Num mundo em que filhos matam pais, em que os velhos são votados ao abandono, em que crianças com barrigas grávidas de fome morrem sem que os opulentos queiram saber, este exemplo de lealdade deve guiar-nos, servir-nos de exemplo.

Por favor, se alguém morar em Rio de Mouro, dêem um lar a esta fiel criatura. Preencham de alegria os dias deste cãozito, dêem-lhe um lar.

Até ao dia em que possa estar com a sua dona verdadeira.