quarta-feira, 7 de março de 2012

Limões



Há coisas que me fazem uma confusão danada.
Mas quando vem um economista dizer para as notícias “Portugal é um barco que está a meter água e a consciência dos portugueses devia de ser a de quem perdeu a guerra”, como foi o caso do Sr/Dr/Eng/whatever João Salgueiro, Economista, fico a pensar: o que é que eu devo e a quem?
Vejamos: paguei as minhas contas (água, luz, etc...) e até o VISA, ao qual tive de recorrer em altura de doença. Paguei a renda, paguei a conta da farmácia, paguei todas as minhas despesas e inclusive estou a trabalhar para pagar as próximas facturas que me hão-de aparecer. Quanto muito, devo à minha vizinha o limão que lhe fui pedir para fazer o arrozinho doce a semana passada (lembrete a mim própria: comprar um kg de limões e dar à vizinha, que a inflacção tá pela hora da morte).
Bem vistas as coisas, devo um limão e nem sequer é ao governo. Então porque é que dizem que cada português deve não sei quantos mil euros a não sei quem? Dei-me ao trabalho – e à despesa! – de ir às Finanças pedir uma declaração em como não devo ponta às Finanças, e o meu filho tem dois anos, a caminho dos três, e os seus pais matam-se a trabalhar para que não lhe falte nada. Não usa VISAS, não sai à noite e o seu vício é a chucha, da qual não prescinde para dormir. Então se nenhum de nós deve nada a ninguém, como é possível cada português dever não sei quanto a não sei quem?

(Não esquecer: limões).
Voltando ao barco e à guerra, assim de repente a última guerra que me lembro de ter visto o nome de Portugal envolvido foi na guerra colonial – e como ainda não era nascida, acredito no que me contame no que vem nos livros – e a seguir à guerra, ou antes ou durante, que isto para datas sou uma nódoa, os cofres do país estavam ricos. Não é como agora, que são ricos em teias de aranhas e papéis de dívidas, mas ricos em ouro. E no entanto, vem um economista – que pela provecta idade imagino ser uma pessoa de renome no seu meio – dizer que estamos a meter água e que a nossa atitude deveria ser a de quem perdeu a guerra.
(Limões; já anotaste??)

Vamos por partes. Primeiro, não meto água em lado nenhum porque a minha canalização está em perfeitas condições, obrigado (é que nem sequer consigo tomar um raio de um banho de imersão porque ando sempre a correr), portanto imagino que esteja a falar por alegorias, e nesse caso tenho a informá-lo que sou muito literal e que nem sequer a minha casa devo ao banco porque é alugada, logo, devo ser muito estúpida mas não percebi. Queira clarificar por favor.
Segundo, não posso ter perdido a guerra porque nem sequer era nascida na altura da guerra colonial – recordo, a última guerra na qual nos envolvemos. Formalmente, pelo menos. Mais uma alegoria? O cavalheiro devia ser filósofo, arrisca-se a fazer sombra a Platão com tantas alegorias.
Terceiro, se Portugal é um barco prestes a afundar, não devíamos cuidar primeiro que tudo do rombo? É que atirar água fora com baldes não chega, é preciso vedar o buraco senão é estar a trabalhar para aquecer, o nível da água não baixa nunca.
 
 
Quarto, e muito importante, se as Finanças declaram (com carimbo e tudo!) que não lhes devo nada, porque motivo vêm dizer que a dívida dos portugueses está insustentável? E mais importante que tudo, porque é que não passam a factura a quem fez estes estragos e põem ponto final de uma vez por todas a esses chupistas que andam a lamber o fundo ao tacho, na esperança que esteja banhado a ouro? É que o ouro já foi, e toca sempre aos mesmos o pagamento da factura. Acabem com essas fundações, que ninguém percebe bem para que servem ou o que são, acabem com a segurança privada dos ex-PR, porque na maioria até era um favor que nos faziam se alguém pusesse fim à sua existência, mas quem é que iria gastar o seu precioso tempo – e uma bala! – com eles!

(Já compraste os limões?)
 
 
Sinceramente, de alegorias entendo pouco mas também não quero destronar o Platão. O que quero mesmo é agarrar nesta corja e lançar ao mar com uma âncora presa aos pés.
Ah, e restaurar a justiça em Portugal. Porque pelos vistos o grave não é matar, é roubar o povo e não conseguir fugir.
(Ai, não me posso esquecer dos limões!!)

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